Dia Mundial da Visão: ao volante, não basta olhar, é preciso ver bem

Dia Mundial da Visão: ao volante, não basta olhar, é preciso ver bem

Na segunda quinta-feira de outubro assinala-se o Dia Mundial da Visão que, em 2026, se comemora a 8 de outubro. Uma data que serve de alerta para a importância de cuidarmos da saúde dos nossos olhos e que ganha um significado especial quando falamos de condução. Conseguir ver uma placa à distância, perceber que um peão se prepara para atravessar a via, avaliar a velocidade de outro veículo, detetar um obstáculo na berma ou lidar com o encandeamento provocado pelos faróis de quem circula em sentido contrário depende, em grande medida, da qualidade da nossa visão.

O problema é que nem sempre percebemos quando esta começa a alterar-se. A perda de acuidade visual pode ser gradual e o cérebro tem uma enorme capacidade de adaptação. Por isso, é possível continuar a conduzir convencido de que se vê suficientemente bem quando, na realidade, já existe uma diferença significativa em relação.

Os olhos também precisam de revisões

Tal como não esperamos que um pneu fique completamente gasto para verificar o seu estado, também não faz sentido esperar por dificuldades evidentes para avaliar a visão.

Os exames regulares permitem perceber se houve alterações na graduação dos óculos ou das lentes de contacto, mas também identificar problemas que podem evoluir sem sintomas muito evidentes numa fase inicial. A periodicidade adequada depende da idade, dos antecedentes familiares e das condições de saúde de cada pessoa, pelo que deve ser definida com um profissional de saúde.

Existem, no entanto, alguns sinais que não devem ser ignorados. Uma maior dificuldade em ler sinais rodoviários à distância, a necessidade de semicerrar os olhos para focar, apresentar uma visão desfocada, dores de cabeça frequentes, maior sensibilidade à luz, halos em redor dos faróis ou uma sensação crescente de insegurança ao conduzir à noite, podem ser sinais de que algo não está bem.

Este último ponto é especialmente importante. A condução noturna pode tornar mais evidentes problemas que durante o dia quase passam despercebidos. Com menos luz disponível, torna-se mais difícil distinguir contrastes e contornos, enquanto os faróis dos outros veículos podem aumentar o encandeamento. Algumas alterações da visão, incluindo as cataratas, podem também manifestar-se através de uma maior dificuldade em ambientes pouco iluminados.

O para-brisas também faz parte da nossa visão

Nem todas as dificuldades em ver começam nos olhos. Um para-brisas sujo, engordurado por dentro ou marcado pela passagem das escovas pode aumentar consideravelmente os reflexos, sobretudo à noite ou quando o sol está baixo.

Manter os vidros limpos, as escovas em boas condições e os faróis corretamente regulados e limpos fazem uma grande diferença. Também convém ajustar a luminosidade do painel de instrumentos durante a noite. Um habitáculo demasiado iluminado obriga os olhos a uma adaptação constante entre o interior e a estrada, podendo dificultar a perceção imediata do que se passa no exterior.

Quem usa óculos pode ainda aconselhar-se junto de um profissional sobre lentes com tratamento antirreflexo, sobretudo se sentir muito desconforto provocado pelos faróis durante a condução noturna.

Óculos de sol: ajudam, mas têm de ser os certos

Quando o sol está baixo e incide diretamente sobre o campo de visão, um bom par de óculos de sol pode reduzir o encandeamento e tornar a condução mais confortável. Mas, atenção, mais escuro não significa necessariamente melhor. Os óculos devem oferecer proteção adequada contra a radiação ultravioleta e permitir uma correta perceção da estrada, dos sinais e das restantes viaturas.

A norma EN ISO 12312-1 estabelece diferentes categorias de filtros em função da transmissão luminosa. As lentes de categoria 4 são as mais escuras, deixando passar apenas cerca de 3% a 8% da luz visível, e destinam-se a situações de luminosidade extrema. São classificadas como não adequadas para condução e utilização rodoviária e devem apresentar essa indicação. Para conduzir, portanto, devem ser escolhidos óculos de sol de uma categoria apropriada ao uso na estrada.

Tenho óculos. Sou obrigado a usá-los para conduzir?

Depende do que está registado na carta de condução. No verso da carta, no campo 12, podem surgir códigos correspondentes a restrições impostas ao condutor. No caso da visão, os mais comuns são:

01.01 — Óculos
01.02 — Lentes de contacto
01.06 — Óculos ou lentes de contacto

Se uma destas restrições estiver averbada na carta, a correção indicada tem de ser utilizada durante a condução. Não se trata apenas de uma recomendação: é uma obrigação prevista no Código da Estrada. Conduzir sem cumprir esta prescrição pode dar origem a uma coima entre 60 e 300 euros.

Há ainda um pormenor importante. Se a carta indicar especificamente o código 01.01, correspondente a óculos, não deve partir do princípio de que pode simplesmente substituí-los por lentes de contacto. Para ter liberdade de escolha entre ambos, a restrição adequada é a 01.06.

O mesmo princípio aplica-se a quem deixou de precisar de correção visual, por exemplo depois de uma cirurgia. Enquanto essa restrição continuar registada no título de condução, não desaparece pelo simples facto de o condutor já ver bem sem óculos. É necessário proceder à alteração da carta de condução, cumprindo os procedimentos exigidos para atualizar essa restrição.

Ver bem é também saber quando não conduzir

Uma alteração súbita da visão, visão dupla, perda de parte do campo visual ou uma diminuição significativa da capacidade de ver de um dos olhos não são situações para testar ao volante. Perante uma alteração repentina, o mais prudente é não conduzir até existir uma avaliação médica. Mesmo problemas aparentemente menos graves merecem atenção quando começam a interferir com a capacidade de distinguir obstáculos, sinais ou outros utilizadores da estrada.

Também importa ter atenção ao efeito de alguns medicamentos. Se um tratamento provocar visão desfocada, sonolência ou alterações na perceção visual, deve confirmar junto do médico ou do farmacêutico se é seguro conduzir.

Tão importante como ver é ser visto

A visão é decisiva para antecipar o perigo. Mas, quando ocorre uma avaria ou outro imprevisto e o automóvel fica imobilizado, passa a existir outra prioridade: garantir que os restantes condutores conseguem detetar a sua presença o mais cedo possível. É aqui que um dispositivo luminoso como o Help Flash acrescenta uma camada de segurança. Compacto e simples de utilizar, emite uma luz LED intermitente visível a 360 graus e até 1 km de distância, ajudando a tornar um veículo imobilizado mais facilmente identificável.

A vantagem é particularmente evidente à noite, com chuva, nevoeiro ou em locais onde um automóvel parado pode surpreender quem se aproxima. A sua colocação rápida numa zona elevada do veículo permite criar de imediato um ponto de sinalização luminosa, reduzindo o tempo em que o automóvel permanece menos visível.

Em Portugal, importa recordar, os dispositivos Help Flash são um elemento adicional de segurança e não substituem o triângulo de pré-sinalização exigido pelo Código da Estrada. Numa situação de imobilização, o Help Flash pode funcionar como uma primeira advertência luminosa imediata, enquanto são cumpridos os restantes procedimentos de segurança previstos na lei.