A história por trás da Help Flash e do caminho percorrido até janeiro de 2026

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A história por trás da Help Flash e do caminho percorrido até janeiro de 2026

Durante décadas, a rotina dos condutores estava “escrita” e parecia simples: em caso de avaria ou acidente, teria de vestir o colete, abandonar o veículo e colocar o triângulo a uma distância regulamentar. Mas quem já parou numa berma estreita, com carros e camiões a passar a poucos metros, sabe que essa simplicidade é muitas vezes uma ilusão. Na prática, para muitos condutores, o momento de sinalizar tornou-se ainda mais perigoso do que a própria ocorrência.

Foi precisamente desse choque entre as regras e a realidade que nasceu a Help Flash e o próprio conceito que, anos mais tarde, acabaria por conduzir à obrigatoriedade do V-16 na sua versão conectada em Espanha a partir de 1 de janeiro deste ano.

Os inventores: duas trajetórias o mesmo problema real

Jorge Torre (Ourense, 1968) e Jorge Juan Costas (Vigo, 1982) são os fundadores da Netun Solutions e os rostos por trás do sinalizador de emergência Help Flash.

No caso de Jorge Torre, a ideia começou no terreno: com anos de contacto direto com acidentes e com as consequências de decisões tomadas sob stress, de noite, com mau tempo e tráfego intenso. Ele conheceu de perto um risco específico e repetido: o atropelamento de condutores enquanto tentavam cumprir o procedimento de colocar os triângulos. Para quem investiga sinistros, estas histórias não são estatísticas abstratas, são padrões que se repetem, com nomes associados, famílias destruídas e desfechos irreversíveis.

A partir daí, a motivação tornou-se clara: criar uma forma de sinalização imediata que pudesse ser acionada sem abandonar o veículo.

Jorge Juan Costas entra no projeto com um perfil complementar: a experiência operacional aliada a uma visão de engenharia e de produto. Em termos simples, foi a peça que ajudou a transformar uma necessidade urgente, quase artesanal na sua origem, num dispositivo viável, que podia ser fabricado e comercializado e capaz de cumprir com os exigentes requisitos técnicos e regulamentares.

O invento: uma luz simples com uma ambição enorme

A essência do Help Flash (e do conceito V-16) é, aparentemente, muito simples: um sinalizador luminoso de emergência que permite alertar para o perigo em segundos, reduzindo drasticamente a exposição do condutor ao restante tráfego.

Na prática:

  • Com o recurso ao triângulo, o condutor é obrigado a sair do veículo, caminhar e posicionar o sinalizador de perigo a uma distância considerável;
  • com um dispositivo Help Flash, a sinalização pode ser feita de forma muito mais rápida, fácil e segurança, não obrigando o condutor a caminhar na berma, o que pode ser especialmente relevante em vias com tráfego intenso, durante a noite ou em zonas de dificuldade reduzida.

Do primeiro conceito ao Help Flash conectado: a evolução que mudou o jogo

A tecnologia não ficou parada e, claro, a solução do Help Flash também não. Um dos temas mais falados ao longo destes anos foi a intensidade luminosa: as exigências técnicas definem uma gama ampla, o que também explica porque é que existem produtos com níveis de desempenho diferentes. Ao mesmo tempo, a evolução da tecnologia LED permitiu passar de potências mais modestas para valores significativamente superiores, mantendo os dispositivos compactos e autónomos.

O dispositivo Help Flash IoT+ conectado acrescenta uma camada extra de segurança: ao ser ativado, o dispositivo pode enviar automaticamente a geolocalização do veículo (de forma completamente anónima), permitindo que a ocorrência entre num ecossistema de gestão de tráfego e incidentes.

Aqui importa sublinhar algo que nem sempre é bem explicado: o Help Flash IoT+ conectado não foi desenhado para substituir a chamada para o 112. O dispositivo pode comunicar “a sua localização”, mas só uma pessoa (ou sistemas como o e-Call) consegue dizer “o que aconteceu” e “de que tipo de ajuda precisa”. A conectividade reforça a segurança da localização e o alerta aos restantes utilizadores da via, mas não elimina a necessidade de comunicação humana em alguns cenários, como a existência de feridos.

Quando a solução deixa de ser apenas uma “boa ideia” e passa a ser a regra

Quando uma inovação passa do mercado para a lei, o debate torna-se inevitável e foi isso que aconteceu. A decisão de tornar o V-16 conectado obrigatório em Espanha, com data marcada para 1 de janeiro de 2026, colocou o tema no centro do debate.

E é fácil perceber porquê: estamos a falar de um equipamento que mexe com hábitos antigos, com perceções de custo (ter de comprar outro aparelho) e com preocupações legítimas, como a visibilidade, a cobertura, a privacidade e até a durabilidade do Help Flash IoT+.

Ainda assim, o fio condutor mantém-se o mesmo desde o começo: reduzir o risco associado ao ato de sinalizar, sobretudo nas situações em que o condutor não escolhe estar vulnerável, como numa avaria inesperada, num incidente súbito ou até numa paragem forçada num local hostil.

Um invento com um propósito muito concreto

A história da Help Flash não é apenas a de um produto. É a história de uma ideia nascida num problema real e recorrente, que foi sendo afinada com o apoio da tecnologia, da capacidade de industrialização e até do seu enquadramento legal, até desembocar num momento decisivo: a transição para o V-16 conectado como padrão obrigatório em Espanha no dia 1 de janeiro de 2026.

No fundo, a promessa é direta e humana: que nenhum condutor tenha de arriscar a vida só para avisar que já está em perigo. E isto é válido em Espanha ou em Portugal...